
Se quisermos consultar investigações longitudinais ficamos a saber que uma boa experiência de educação pré-escolar, para além das vantagens na transição para a escolaridade básica e nos processos de socialização da criança tem, a longo prazo, efeitos positivos na prevenção do abandono escolar, da exclusão social, na prevenção de delitos na juventude ou idade adulta, do abuso de drogas.
A inserção positiva da criança no 1.º ciclo da escolaridade básica é um dos objetivos da educação pré-escolar. Durante décadas pensava-se que esta passagem se fazia através de processos diretos de inserção, nomeadamente usando fichas de iniciação à escrita ou exercícios gráficos feitos em papel quadriculado. Ainda temos o mercado inundado desse tipo de fichas e exercícios. Até aos anos 80 a investigação afirmava que os factores indicativos de uma inserção positiva no 1.º ciclo se prendiam com indicadores de sucesso escolar nas aprendizagens finais (ler, escrever, contar...).
Os estudos mais recentes apontam para um número muito mais amplo de competências à frente das quais se encontra a capacidade de aprender a aprender. Em seguida surgem as competências sociais de cooperação, isto é a capacidade de a criança se inserir num grupo de pares e de cooperar com eles no desenvolvimento de tarefas comuns.
Para atingir estas competências as crianças devem demonstrar a capacidade de fazer amigos e de serem aceites no grupo de colegas – é no pré-escolar que se iniciam as grandes amizades e se aprende a cooperar.